Colagem transforma louça danificada em peças de arte
Louças: cerâmica, barro ou porcelana. Basta um descuido e logo aparecem trincas e lascados. O que antes teria como destino o lixo ganhou status de arte através da técnica de colagem.
Um empresário da cidade de Areia, na Paraíba, encontrou uma alternativa de recuperar as louças danificadas do seu restaurante e dar a elas uma nova função.
“Descobrimos nesta arte um destino nobre, social e ambientalmente correto. Pois além de aproveitar as peças danificadas, ao mesmo tempo estamos ensinando uma arte e produzindo peças de rara beleza”, destacou Leonaldo Andrade, da Villa Real Pousada (Areia-PB).
O empresário declarou ainda, que o conceito de Upcycling está presente também nos móveis de madeira de demolição e na decoração.

O procedimento artístico da colagem já era conhecido desde a história antiga, mas foi na França do século XX, com o Cubismo que passou a ser valorizada como arte. Uma criação que mistura pintura, escultura e muita criatividade.
Retiradas do acervo, tempos depois as louças avariadas ressurgem pelos ambientes da pousada. Nas paredes, viram quadros. Sobre os móveis, objetos decorativos. Uma transformação que causa surpresa nos hóspedes e frequentadores do restaurante, que por sinal tem um nome bem sugestivo, Bambu Brasil.
A arte da ressignificação

Ressignificar é a palavra que rege o trabalho do artista plástico Zéllo Visconti. Reconhecido no exterior pelo domínio da técnica de colagem. Ele explica: “O uso de material alternativo, como guardanapos decorativos é uma maneira simples com resultados fantásticos”.
O carioca que escolheu João Pessoa para viver, já participou de mais de cem exposições individuais e coletivas no Brasil e em países como Itália, França, Espanha, Áustria, Estados Unidos e Argentina.
O efeito vivo e colorido com elementos tropicais, brasileiros e populares, envolve papel reciclado, tecido, tinta acrílica, guache e guardanapos.
“Sicolacolou”

Hoje, Zéllo Visconti compartilha sua experiência através de oficinas por todo país. No workshop intitulado “Sicolacolou”, Zéllo dividiu com outros artistas e interessados as técnicas e as transformações do processo de colagem.
O trabalho vai muito além das telas. “Madeira, argila e louça. São desafios, obstáculos que agitam a criatividade”, revela o artista.
Leonaldo Andrade deu a ideia e Zello Visconti aplicou a arte.
Uma dessas oficinas foi realizada na cidade de Areia, em abril. Cerca de 35 peças danificadas entre pratos, pires, xícaras e outros utensílios foram ressignificadas pelas mãos e imaginação dos participantes.
“Todas as peças têm sua particularidade. O efeito final depende da criatividade de quem a trabalha. Várias pessoas tiveram a oportunidade de desenvolver ou demonstrar seus talentos e criar suas obras de arte”, contou Leonaldo Andrade.

Diferente de uma restauração, o Upcycling é um processo que busca aproveitar algo que seria descartado, transformando-o em um objeto com nova utilidade e propósito.
Em Londres, Alemanha e até mesmo no Brasil o conceito está em alta, principalmente no mundo da moda e da decoração.
Nas artes plásticas, a técnica da colagem é uma alternativa que combina sustentabilidade e estética. Uma forma simples e econômica de dar beleza ao lixo.
Mais fotos da Oficina Sicolacolou:
Com informações: Artista Plástico Zéllo Visconti / Empresário Leonaldo Andrade/ Grande Campina / Zupi / InfoEscola
Por Marcella Machado, da redação do Conexão Boas Notícias
Excelente materia. Vamos difundir a arte, como expressao da beleza e da criatividade humana! Os que fazem a Villa Real sentem-se honrados.